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Todo mundo comete erros, por isso, tenta ouvir a tua mãe.

  • 2 de mar. de 2018
  • 4 min de leitura

Todo mundo comete erros. Todo mundo faz algo que se arrepende. Todo mundo magoa alguém que ama. As nossas mães vivem dizendo que não somos todo mundo. Mas o pior, é que acabamos sendo. Somos todo mundo. Não de forma literal, claro e obviamente. Somos todo mundo, porque somos humanos. Todos nós. Poderíamos não colocar a culpa na humanidade, não é? Das merdas que viemos a fazer ou que já fazemos? Mas acabamos por colocar. Não deveria ser automático. Era para pensarmos antes. Mas de quem é a culpa do erro? Quem o comete? A culpa pertence a quem? Exclusivamente de quem o comete? A condição humana? A condição animal? O meio? Os outros? A sociedade? Mas, afinal, o que é o erro? Mas, afinal, o que é a dor? E, por fim de uma angústia, o que é a culpa?

A culpa é somente um sentimento consequencial. De um acontecimento, um feito, um fato que possa a vir a causar esse sentimento. Consequência de uma causa dolorosa. A culpa vem sempre acompanhada de um processo doloroso. Se você causar dor em alguém, se você for no mínimo humano, sentirá culpa por isso. A questão aqui não é porque sentimos culpa. Isso só quer dizer que temos emoções e senso de responsabilidade. A questão aqui é: por que diabos magoamos quem não queríamos magoar jamais? Tem a ver com expectativas? Tem a ver com o que se espera do outro? Ou do que não se espera? Ou tem a ver com aflições próprias? Sinceramente, eu não sei. O que envolve ou deixa de envolver. Ora fazemos coisas por raiva, ora por medo, ora impulsividade, angústia, confusão. Mas o sentimento que nos leva a fazer futuras mágoas só é propulsor; a gente bem que poderia ter controle sobre isso. Por que não temos quando deveríamos ter? Esse ato de pensar de forma sensata antes de fazer qualquer besteira? Todo mundo poderia ser mais sensato, todavia, todo mundo acaba por se extrapolar em alguma eventualidade que gera uma desilusão. Ah, e a culpa! Aquele sentimento sensato! Sentimento que mostra a tomada de consciência do erro. Por que a sensatez e consciência só vem à tona depois? Isso, evidentemente, de forma genérica. Sempre tem um que consegue ser equilibrado e o bom samaritano. Na maioria das vezes, esse ser consegue essa façanha. Porém, até agora não vi e nem conheço nenhum ser humano que não tenha falhado, pelo menos uma única vez. Creio que nem exista. Mas o que é falhar? É errar? O que forma o erro?

O erro é um engano. Uma falsidade. O erro é vazio. Sem fundamentos. Ilógico. É a não verdade. É um desprazer. O erro é aprendizado. Dolor. Invasivo. Violento. O errado é estar sem a verdade, nem que seja momentâneo. É perder-se num caminho obscuro que fere a alma. Uma crueldade. Contudo, o que é errado? Errado é aquilo que vai contra a liberdade de alguém. Errado é aquilo que venha a magoar. Só que, por favor, que não haja más interpretações! Sentir-se magoado não necessariamente venha de um erro, mas todo erro gera mágoas. Menores, maiores. Sem noção de tamanho. Magoamos nós mesmos quando erramos por nós e por outros também. Todavia, é muito bom, que possamos aprender com essas experiências, ao menos! Afinal de contas, há sempre uma bondade por de trás de tudo. O demiurgo sabe bem como agir! A natureza e os universos são belíssimos! Há beleza até nas coisas aparentemente feias. Basta querer enxergar. O aprendizado é a beleza do erro. E sem sombras de dúvidas os humanos existem para aprender. Por isso, errar é humano. Porque precisamos essencialmente aprender. Porém, por favor, novamente, que não haja interpretações fadadas aqui! Não é para romantizar erros. Muito pelo contrário! Os aprendizados podem surgir de vários caminhos. O erro é só um deles. Se há julgamento sábio ou, ao menos, equilibrado, saberá que há caminhos melhores para aprender. Então, é melhor seguir por eles, não é mesmo? É saber caminhar pela estrada da vida. Todo mundo deveria ser um bom condutor. Dirigir atentamente para onde se quer chegar. Problema é que não estamos a ser bons condutores. Alguns buscam, outros tentam, outros desconhecem e há, ainda, aqueles que fazem questão de ser péssimos em conduzir. Ser humano tem dessas loucuras! Mas quem somos nós pra julgar alguém que de tamanha diferença, nos faz semelhantes?

Todo mundo comete erros. Todo mundo comete acertos também. Todo mundo está aqui para aprender. Como vamos aprender o que tem de ser aprendido, ninguém sabe ao certo. Mas, torçamos que não seja pelo erro. Para pouparmos-nos da culpa, e, pouparmos outrem, de feridas que podem demorar a cicatrizar. Não sejamos a faca de dois gumes, que corta e perfura, quem usa e a vítima. Sejamos o remédio, o processo de cura, que florescerá saúde. Só que, todo mundo comete erros. Mas pelo menos uma vez na vida, escuta a tua mãe, meu caro! E tenta, pelo menos tenta, não ser todo mundo.

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