Sobre a poeira dos livros
- 20 de out. de 2017
- 2 min de leitura
"Ah, mas esse livro foi fulaninho que escreveu, deve ser bom" "Ficou sabendo que ciclano tem um livro falando sobre isso?" "Eita aquela menina dos videos escreveu um livro, será que é bom?" "Eita que aquele moço lá da tv tem um livro" "Se você quer lançar algum livro é melhor ter algum reconhecimento primeiro, cê sabe"
e blá, blá, blá!
Não que o reconhecimento não seja importante. Longe de mim, eu querer afirmar isso. Mas o que parece é que estamos em uma época que as pessoas compram livros por causa das pessoas que os escreveram e não por causa do conteúdo. E lá se vai a ideia de se ter histórias e sim um mero produto lucrativo. Entrei em uma livraria dia desses, na vitrine principal livros de youtubers, famosos e best-sellers. Não entortem o que quero dizer, vou dando logo o lembrete. Não quero falar que esses livros são ruins ou que não prestam ou que não venha a ter nada de interessante escrito ali. Não posso afirmar isso, porque não os li. Mas que eles estão lá não por histórias fantásticas e criativas, isso é notório. Eles estão lá por estratégia, por divulgação, entretenimento, e outras possíveis distorções que a situação pode proporcionar. Mas que deve ter muitos escritores e escritoras boas e de um rico mundo em grafia em desconhecido, sem a grande notoriedade dos famosos do momento, tem e muitos. Enfim, sai da livraria sem nenhum livro, pois não havia ido no intuito de comprar. Mas depois lembrei dos sebos que andam esquecidos pelas ruas aqui de minha cidade, afinal, também é muito mais fácil baixar o e-book ou encontrar um pdf do livro antigo na internet. Passei pela rua de um dos sebos e o dono disse que iria fechar, não estava a dar bom rendimento para continuar ali.
Ah, mas aquele cheiro de livro velho é bom. O cheiro do livro novo é bom também, mas o cheirinho do livro de páginas amareladas tem um sentido mais tocante. Tenho alguns lá em casa esquecidos, deixados embaixo da estante. Faz tempo que não peguei em um livro para ler e mergulhar na história. Ler academicamente e cotidianamente tem sido normal, que a gente até diz que está lendo, mas está lendo mesmo?

Passar metade do dia nas redes sociais e vendo vídeos no YouTube está sendo tão cômodo que os livros estão virando design de interiores, infelizmente. Ou lendo um livro não pelo enredo, mas porque foi o famigerado carinha que assisto que "escreveu", em aspas mesmo, porque alguns são ghostwriters. E assim vai indo. Acredito que vou ler um livro, mas antes vou assistir algum episódio de Black Mirror no meu "black mirror" aqui. E acabo pegando no sono e o livro eu vou deixando empoeirar um pouco mais, enquanto na balada a foto para o Instagram é mais curtida do que a do livro presente, que no presente está passado demais.





















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